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FRACASSAM AS NEGOCIAÇÕES. EMPRESÁRIOS ABANDONAM A MESA
OS EMPRESÁRIOS SEGUEM A DECISÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO E TAMBÉM ABANDONAM O DEBATE PARA ISOLAR ESTIVADORES

O movimento dos Estivadores e Trabalhadores de Bloco no Porto de Santos prossegue hoje, dia 7, em seu 12º dia. Trinta navios aguardam para atracar. Assembléia da noite de ontem, dia 6, decidiu retomar as manifestações de rua frente ao impasse. Manifestações de apoio de diversas partes do país e do mundo têm sido informadas aos trabalhadores nas assembléias. O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT),Vicente Paulo da Silva , veio a Santos manifestar solidariedade e trazer quatro toneladas de alimentos doados pelos trabalhadores industriais do ABC paulista. Os estivadores abriram uma campanha de doações para manterem o movimento. Antes da reunião das 15h00 de ontem, dia 6, os representantes do Órgão Gestor retiraram-se das negociações, acompanhando decisão da Justiça do Trabalho no dia anterior. A impossibilidade de continuarem as negociações criou uma nova onde de tensão à noite, mas não chegaram a ocorrer novos choques entre trabalhadores e policiais militares.

MAIS UM NAVIO É FLAGRADO OPERANDO COM TRIPULANTES NO LUGAR DOS ESTIVADORES. ESTÁ PARADO AGORA
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O navio "Ise", que operava no terminal privatizado da Libra, foi interditado ás 13h00 (GMT -3) de hoje, dia 6, pela fiscalização do ministério do trabalho. Agora já são três navios paralisados em terminais santistas (existe outro no Libra e um terceiro no terminal Santos-Brasil - leia mais abaixo) por operarem a descarga com os próprios tripulantes. Outros terminais estão sendo fiscalizados porque há denúncias de que este tipo de operação irregular está sendo empregada como método.


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MOVIMENTO CONTINUA - A assembléia da noite de quinta-feira, dia 5, aprovou a continuidade do movimento em defesa do trabalho por aclamação. Foi muito aplaudida de forma emocionada a leitura de mensagens de solidariedade que estão chegando de diversas partes do mundo (leia nas mensagens de apoio). Vanderlei José da Silva, presidente do Sindicato dos estivadores, depois de relatar à assembléia o dia de negociações infrutíferas, pediu que os que defendiam a continuidade do movimento levantassem as mãos.

Imagem da TV Mar O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bloco (reparos e manutenção), João Saldanha da Fonseca, considera que "os trabalhadores estão começando a romper o muro de silêncio e mesmo a população já está entendendo melhor o motivo de nossa luta". O policiamento continua ostensivo em toda a cidade e área do porto. Os estivadores concentram-se agora, à espera das negociações, na Praça Mauá, no centro de Santos, onde fica a prefeitura da cidade. É onde estão sendo realizadas as assembléias.


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APOIO POLÍTICO - Num caso raro de unanimidade dos membros do Legislativo Local, os 21 vereadores santistas, dos diversos partidos, suspenderam (pela terceira vez) a sessão do dia, aprovaram um documento de apoio aos trabalhadores (leia nas mensagens postadas) e marcaram para segunda-feira, dia 9, uma "Audência Pública" da Câmara Municipal de Santos, abrindo a sede do Legislatiivo para uma manifestação de solidariedade. Os representantes eleitos dos 420 mil habitantes de Santos já haviam exigido também a retirada das tropas da Policia Militar da cidade.


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FEDERAÇÃO NACIONAL - Abelardo Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Estivadores, está em Santos acompanhando o movimento e, numa entrevista hoje, dia 6, afirmou que "nesta luta em Santos há muito mais em jogo que apenas a escalação do trabalho ou mesmo os postos de trabalho dos estivadores. É uma das batalhas de um quadro maior, de um projeto de dominação global do setor portuário e marítimo por uma série de interesses que reunem certos governos e conhecidas empresas do setor".



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O 11º DIA - O movimento dos estivadores e doqueiros santistas está hoje, dia 6 de abril, em seu décimo primeiro dia, com a perspectiva de que um acordo seja possível. Com o afastamento do Ministério Público (promotoria) do Trabalho, a mediaçào foi assumida pelo governo do Estado, através de seu secretário do Emprego e Relações de Trabalho, Walter Barelli, e do prefeito de Santos, Beto Mansur. O Poder Legislativo Federal designou os deputados Arnaldo Madeira (PSDB-SP), Wagner Rossi (PMDB-SP) e Telma de Souza (PT-SP) para acompanhar as negociações.
Empresários, representados pelo Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) e trabalhadores, representados pelo presidente do Sindicato dos Estivadores, Vanderlei José da Silva, e pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bloco (reparos navais e manutenção), João Saldanha da Fonseca, têm encontro marcado para a tarde de hoje. O governador de São Paulo, Geraldo Alckimin (PSDB), afirmou que poderá mediar um encontro entre empresários e trabalhadores se estes assim o desejarem.

TERMINAIS DIZEM QUE VÃO OPERAR - Os terminais privatizados que foram multados na quinta-feira e tiveram as operações de dois navios suspensas devido a ausência de trabalhadores sindicalizados na operação, Libra Terminais e Santos-Brasil, afirmaram que continuarão usando pessoal próprio para carregar e descarregar navios. Seus porta-vozes afirmaram aos jornais que "a interdição do Ministério do Trabalho foi com relação apenas a dois navios. Não disse nada a respeito dos demais".



Terminais privatizados sofrem a primeira derrota e são multados pelo Ministério do Trabalho por operarem sem estivadores
MOVIMENTO PROSSEGUE NA QUINTA-FEIRA, DIA 5. EMPRESÁRIOS ABANDONAM NEGOCIAÇÃO

(Jornal O Estado de S. Paulo) - O delegado regional do trabalho no Estado de São Paulo, Antônio Funari, informou hoje, dia 5, que o Ministério do Trabalho interditou dois navios que estavam operando com mão-de-obra irregular nos terminais de contêineres da Santos Brasil e da Libra, no Porto de Santos. Segundo ele, as duas empresas foram autuadas e poderão pagar multa de R$ 5 mil por navio.
Os fiscais do ministério realizaram a blitz entre meia-noite e duas horas da manhã de hoje e constataram que a carga dos navios estava sendo movimentada por marinheiros estrangeiros, o que contraria a legislação brasileira. A iniciativa do Ministério se deve à denúncia do Sindicato dos Estivadores, já que o trabalho da estiva deve ser feito sempre pelos trabalhadores do porto.

Novo boletim (18h45) - Provocada pela ação dos estivadores, que denunciaram as operações irregulares nos terminais, a fiscalização paralisou hoje à tarde, dia 5, as operações em dois navios que estavam movimentando cargas sem estivadores: o navio "La Paloma", na Libra Terminais, e o "Aliança Bahia", no Terminal de Contêires (Tecon - Santos-Brasil).

Novo boletim (19h25) - Está marcada para sábado, dia 7, a reunião das federações e confederações nacionais brasileiras dos Estivadores, Portuários, Trabalhadores de Bloco, Conferentes, Vigias Portuários e Transportadores, que pode decidir pela greve geral nos portos do país em apoio ao movimento de Santos. Atualmente o movimento tem apoio de onze mil trabalhadores ligado à Intersindical Portuária do Estado de São Paulo e dos Caminhoneiros.

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Reunidos em assembléia na praça Mauá, no centro de Santos, os estivadores decidiram na noite de quarta-feira, dia 4, pela continuidade do movimento em defesa do trabalho. O fracasso da reunião de negociação convocada por um organismo da Justiça do Trabalho foi decepcionante para os trabalhadores. Especialmente porque os empresários recusaram-se ao diálogo, abandonando a sala de reuniões em quinze minutos, intransigentemente.


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(Jornal A Tribuna) - O impasse no Porto de Santos não terminou ontem, dia 4, durante a reunião na Procuradoria Regional do Ministério Público do Trabalho, na Capital por conta da intransigência do Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo), que não se dispôs a negociar. Os dois diretores da entidade sentaram à mesa para conversar por apenas 15 minutos, saindo da sede do Ministério Público sem discutir a proposta que os sindicalistas apresentaram aos procuradores, e que atenderia aos preceitos da lei. A saída intempestiva dos representantes do Ogmo, André Canoilas (presidente) e Nélson Domingos de Giullio (gerente de operações), revoltou os presidentes dos sindicatos da Estiva, Vanderlei José da Silva, e dos Trabalhadores do Bloco, João Aristides Saldanha Fonseca. “Isso é um desrespeito às autoridades e aos trabalhadores. Mostra que o Ogmo não quer negociação, quer imposição”, afirmou o líder dos estivadores.

Fiesp — O presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Horacio Lafer Piva, alerta sobre as consequências da greve dos estivadores de Santos e propõe às indústrias que preparem planos de contingência para desviar o fluxo de insumos ou produtos de exportação ou de importação para outros portos do País.

Impasse continua em Santos. Justiça considera paralisação
abusiva e estabelece multas gigantes contra os Sindicatos

30 NAVIOS AGUARDAM ATRACAÇÃO NA TARDE DE QUARTA, DIA 4 DE ABRIL

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Assembléias na noite de terça, dia 3 e na manhã de quarta, dia 4, reafirmaram a continuidade do movimento dos estivadores e demais trabalhadores portuários de Santos em defesa do emprego. Não ocorreram novos choques com a Polícia Militar que continua na cidade e em toda a área do porto. Também não houve acordo em negociações que ocorreram durante toda quarta-feira, em São Paulo, no Tribunal Regional do Trabalho. E o movimento prossegue, com apoio dos Sindicatos da Intersindical Portuária e dos Caminhoneiros. Doze navios estavam atracados no porto no final da tarde de quarta-feira. Dez, em terminais privatizados, operaram sem estivadores. Trinta estão fundeados na barra do porto aguardando condições para atracar.

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Estivadores chegaram a chorar na manhã de quarta-feira frente à decisão da Justiça do Trabalho em aplicar multas gigantes contra os sindicatos, de R$ 200 mil (cerca de US$ 97 mil) por dia de paralisação. Entenderam a medida como forma de pressionar o movimento que, para os sindicatos, sequer chega a ser uma greve. Os estivadores não são empregados dos terminais ou do porto, só ganham quando trabalham e o Órgão Gestor não consegue fazer a escalação do trabalho. Isso é que está impedindo a movimentação em Santos. Esses são os argumentos de um rercurso que os sindicatos apresentaram à Justiça.

Imagem da TV Mar Segundo Vanderlei José da Silva, presidente do Sindicato dos Estivadores, "os empresários recorrem sempre à justiça da capital do Estado, onde os juízes não compreendem a dinâmica do trabalho portuário e tomam medidas semelhantes às que já se acostumaram a fazer em relação aos sindicatos fabris. Nós não somos empregados de ninguém e, assim, como podemos estar em greve? Foram os empresários e a Justiça que criaram esse impasse e agora não encontram meios de resolvê-lo" .


Esta é uma web-reportagem militante do jornalista Mauri Alexandrino.
mauri@viasantos.com

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