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O Fanatismo
De: Eugenio Lara
Membro do Instituto Cultural Kardecista de Santos, do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e um dos coordenadores do site PENSE.

eugeniolara@uol.com.br
Em: 17/01/2002


O ataque terrorista aos Estados Unidos deixou evidente que um dos mais perniciosos inimigos da Humanidade ainda é, sem dúvida, o fanatismo. Essa praga, irmã da intolerância e do sectarismo, tem deixado, ao longo da história, um lastro de genocídio e de atrocidades incompatível com os princípios éticos adotados pelas religiões e por determinadas correntes de pensamento, não necessariamente religiosas.

O massacre contra os judeus praticado pelos nazistas, a destruição de Iroshima e Nagazaki, a Inquisição, as Cruzadas dentre tantos outras barbaridades, cobrem de lama a história do gênero humano. Por trás de tudo isso, dentre outros fatores, está o fanatismo, seja laico ou religioso, essa doença da alma que ainda permanece ameaçando o gênero humano.

Aliás, o que é o fanático senão um ser em profundo desequilíbrio interior, em declarada colisão com o mundo em que vive. Ele é incapaz de aceitar aquele que pensa e sente a realidade de forma diferenciada da sua. O fanático não tolera a diferença e, muito menos, a indiferença para com seus princípios, que considera uma verdade absoluta, mesmo que venha com o discurso do “ninguém é dono da verdade”. Mas o fanático é o “dono da verdade”. Ele tem “a verdade” nas mãos e se imagina um eleito, um ser diferente dos demais.

Os fanáticos muçulmanos não toleram a existência do mundo ocidental e seus valores “perniciosos” aos desígnios de Alá. Os cristãos-protestantes ainda não aprenderam a conviver com os cristãos-católicos, notadamente na Irlanda. Os palestinos não toleram a existência dos judeus e estes, por sua vez, ainda se consideram o povo eleito por Jeová. E os cristãos-espíritas não aceitam a existência e ação da Confederação Espírita Pan-Americana, dos espíritas não-religiosos, a quem consideram obsidiados e inimigos do Cristo.

Seja na política, na religião ou mesmo na área cultural, o fanatismo quando se instala produz monstruosidades, constitui-se num flagelo destruidor, funcionando como um grande obstáculo ao progresso.

Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo (25/11/01), o escritor peruano Mario Vargas Llosa, ao comentar os ataques de 11 de setembro, descreve o fanático de forma impiedosa: “O fanático é fanático porque se sente dono absoluto de uma verdade única, incompatível com qualquer outra e, portanto, com o direito de abolir, valendo-se de qualquer meio, as diferenças, todos os credos e convicções que não coincidam milimetricamente com os seus.” E completa: “O atentado veio nos recordar que o velho inimigo obscurantista continua lá, obstinado, tentando sempre, apesar de todas as suas derrotas, fechar o caminho para uma humanidade sem dogmas, feita de verdades relativas, em diálogo e cotejo permanente; em nome de uma só verdade desumana. Nunca cessará a luta contra as cabeças da Hidra, que sempre renascem”.


 
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