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A trincheira contra as soluções
De: Mauri Alexandrino
Jornalista simpatizante

mauri@viasantos.com
Em: 21/03/2002


O Banco Mundial estima que a corrupção no Brasil reduzida pela metade, seria suficiente para içar da pobreza absoluta mais de 25 milhões de brasileiros em dez anos. E afirma que a corrupção epidêmica no país seria responsável por cerca de 25% a 30% de custos adicionais pagos pela sociedade em qualquer projeto de desenvolvimento.

Independentemente da confiança ou apreço que votamos a organismos como o Banco Mundial, ele próprio naturalmente envolvido em manobras corruptas de maior monta e porte global, o dado continua sendo importante. Ele demonstra que parte das possíveis soluções para o miserê nacional são emperradas pelo sistema de facilitações que se espraia em todas as áreas do país.

Toda ética condenará a corrupção mas, como no caso do Raimundo de Drummond, pode até rimar e continuará não sendo solução. Soluções serão controles sociais maiores e melhores e ritos judiciais mais rápidos e efetivos. É preciso atingir os corruptos na parte do corpo em que mais sentem dor: no bolso. Empobrecê-los, rápida e taxativamente, é o remédio mais eficaz.

Porém - e sempre há um porém, como dizia o Plinio Marcos - os mesmos organismos que condenam as práticas deletérias, aceitam de bom grado lavanderias como Jersey, Caimans, Ilhas Virgens, Bahamas. Os bancos suiços terão mais a ver com a corrupção brasileira que qualquer Lalau da vida.

Enquanto não se chegar a um controle global desses "paraísos fiscais" (e reparem que o termo revela o caráter claro desses "serviços") não haverá como punir a corrupção adequadamente.


 
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