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Corrupção e desigualdade
De: José Rodrigues
Jornalista e economista

zero@carrier.com.br
Em: 26/03/02


Há estudos que procuram comparar a relação entre o Indice de Desenvolvimento Humano-IDH, com o Índice de Percepção da Corrupção – IPC. O IDH leva em conta a renda per capita de cada país (o Produto Interno Bruto-PIB dividido pela população), a expectativa de vida e a escolaridade. Em alguns casos procura-se tirar do IDH a renda per capita, pois este indicador é suscetível de mascaramento, ou seja, não revela o grau de concentração da renda, se esta houver, o que é comum nos países árabes com fontes de petróleo, por exemplo.
Quando se retira este item, a correlação entre o IDH e o IPC torna-se estreita, ou seja, os países com baixa qualidade de vida são também os que apresentam elevado índice de corrupção. A este respeito, veja-se artigo de Cláudio Weber Abramo na Folha de S. Paulo de 26/08/01. Corruptores e corrompidos entretecem elos em proveito próprio, de minorias, o que não está conforme com a justiça social. Não bastam a educação, princípios religiosos ou filosóficos. Nem mesmo a pena de morte, que ainda perdura em poucos países para esse tipo de crime, extingue sua prática.
Há o pressuposto, por isso, de que a cultura comum, embora legalmente a condene, contém ingredientes favoráveis à corrupção. Juntam-se o desejo do ganho fácil e do poder hegemônico como expressões do egoismo, “a chaga da humanidade”, no dizer de Allan Kardec.
Sim, a ética espírita tem a força necessária para rivalizar com a corrupção, na medida em que apresenta o homem como ser imortal e continuamente responsável. Que discute o relativismo da posse. É interessante conhecê-la.


 
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