Aparando as elevações com resignação nuclear
De: Mauri Alexandrino
jornalista
mauri@carrier.com.br
Em: 07/04/2003
Citando -- " A "morte" de "inocentes" que estamos assistindo, sabemos que não é bem assim... Qual foi a opção (livre-arbítrio) do povo iraquiano ao longo dos anos? Pelo que vejo, foi de intolerância religiosa; incapacidade de trabalhar pela paz (aqui poderia caber a luta?); com "iniciados" religiosos que não dividiam o conhecimento, mantendo as castas... "
---------------------------------------------
Respeito as opiniões de todos e de todos os tipos, mas me parece que há muita desinformação a respeito do Iraque e da própria guerra em si. Sinto informar a alguns, mas aquele país é -e segue sendo- um dos raros estados laicos daquela região do mundo.
Os registros históricos não correspondem aos julgamentos feitos no artigo. Os mongóis que destruíram Bagdá em 1245, matando cerca de dois milhões de pessoas, carregavam a cruz de Cristo e não o crescente verde. Para citar apenas um episódio. "Guerra Santa" é um termo cunhado pelo Vaticano para incentivar as Cruzadas; ele não é árabe, só recentemente (cerca de 300 anos atrás) foi adotado pelos muçulmanos.
Badgá das mil e uma noites está na história humana não como registro de violência e ódio, pelo contrário, de arte, valores morais, consciência política e vitalidade intectual.
Sinto, senhor, mas suas idéias não correspondem aos fatos. Jamais seria capaz de admitir que os massacres que assistimos são culpa dos massacrados, que é o conceito que brota, em última instância, de seu argumento.
|