A ANTI-ÉTICA DA PREVIDÊNCIA
De: Maurício Zomignani
mauzomi@ig.com.br
Em: 10/12/2003
O aumento da expectativa de vida é um fenômeno mundial e, no Brasil, a expectativa média de vida dobrou em 100 anos segundo o IBGE. A lógica nos diz que um sistema de previdência que funcionava quando a expectativa de vida era de 50 anos não vai funcionar se esta expectativa passa a 70 anos, pois pagará mais que recebe, o que é inviável, como sistema. Ocorre, no entanto, que a média, como visão geral, mais encobre que explica. Em primeiro lugar, parece-me óbvio que ricos vivem mais que pobres fazendo com que estes últimos, contribuindo pelo mesmo tempo, recebam menos que os ricos, não apenas porque sua retirada é menor, mas porque vivem menos tempo. Além disso, continuam a existir aposentadorias especiais, voltadas exatamente para pagar muitíssimo mais a juízes, militares, parlamentares, tudo isso com dinheiro público. Pode-se concluir, assim, que nosso Sistema Público de Previdência, tanto na área pública quanto na privada, é uma forma absurda de aumento da concentração de renda pois TRANSFERE RECURSOS, EM GRANDE QUANTIDADE, DOS MAIS POBRES PARA OS MAIS RICOS, invertendo, perversamente, a ética kardecista, ou qualquer ética. Para ser econômicamente justo um Sistema Previdenciário precisaria pagar mais a quem vive menos e, para ser socialmente e eticamente justo precisaria mais que pagar mais, retornar mais para o trabalhador de baixa renda, a fim de garantir a vida dos pobres com parte da contribuição dos ricos.
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